Diário da Serra

A sensibilidade do idoso

Gilson Nunes 05/06/2019 Artigos

Ser idoso é ter a consideração almejada pela experiência que só o tempo conhece

Artigo - A sensibilidade do idoso

A sensibilidade do idoso

Depois dos sessenta anos de idade, nós humanos somos considerados idosos ou velhos. Quer queiramos ou não, a verdade é essa. O tempo não tem dó de ninguém, mas também não haveria de ter, pois ele é neutro, involuntário. Ele existe porque faz parte da complexidade de sua insensatez. Culpa por colocar quem quer que seja como idoso ou velho, ele não tem nenhuma. Mas, afinal, envelhecer é bom ou ruim?


A pergunta é um tanto quanto interessante, pois, ser velho é ter vivido uma vida, ter experimentado sabores que a tão sonhada gula deseja. Ser idoso é ter a consideração almejada pela experiência que só o tempo conhece. Por outro lado, não obstante, chegar à idade idosa ou tornar-se velho, caso não seja de forma tranquila, projetada, com atividades físicas, a cabeça em plena atividade, com afazeres pontuais e sem excessos, pode levar para um envelhecimento triste e não desejado. Calma, também não é bem assim, afinal, tudo tem seus limites, mas os limites do “tudo” não significam o fim.


A idade idosa merece todos os cuidados que a paciência tolere. A parábola da vida quando entra na descendente, passa para o idoso uma conotação de que o sonho entrou na fase de “prazo de validade vencida” intolerável. Todavia, é preciso que se entenda que o sonho nada mais é que a persistência de um querer que sobrepõe a alma, ultrapassando horizontes que o tempo não alcança ou supera. A partir daí, revigora-se o estimulo de uma sensibilidade aonde a autoestima restaura a força imaculada e registrada pela sabedoria adquirida pelo conhecimento.


Não é tarde pensar que o futuro anda ao lado e que o momento é o aditivo que a consagração pessoal absorve e ilumina. O conflito da vida do idoso, todavia, fica por conta de suas lembranças, aonde a saudade lhe impõe a sensação de querer transmitir maior afetividade, respeito à vida, à natureza, valores que emanam da família e que devem ser passados para a família socialmente falando. As crises existenciais não podem e não devem superar o alívio do sorriso, posto que este lhe apregoa a satisfação de ter feito o dever de casa, e das ruas, dentro de uma filosofia socialmente humana e bem-sucedida.


Ser idoso é não se permitir preocupar mais com o tempo, com o amanhã, com a politicagem da política, com a estupidez da tecnologia em desfavor da infância, impedindo a criança de ser criança.


Ser um bom idoso é ignorar o tempo, é ter a sensibilidade aferida pela emoção. É, sobretudo, ser útil mais do que nunca, é ter a capacidade de acreditar que a sua palavra não é a força somente da razão, mas sim, e também, de um aglomerado de concepções que já passaram por todos os limites que a imaginação do bom senso abraça.


 
GILSON NUNES é jornalista

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