Diário da Serra

Estudantes de Jornalismo da Unemat participam de aula de campo em aldeia indígena

NUCCOM/Unemat Tangará 03/06/2019 Educação

A atividade foi realizada na aldeia indígena do Formoso, da etnia Parecis, situada no município de Campo Novo do Parecis

Foto/crédito: Comunicação NUCCOM/Unemat Tangará

Quarenta e cinco estudantes do curso de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), do campus universitário de Tangará da Serra, vivenciaram uma experiência nova no contato com os indígenas parecis da aldeia do Formoso, Campo Novo do Parecis, neste domingo, 2. Para a maioria, foi a primeira vez que conhecia o cotidiano de uma aldeia indígena. Todos participaram de uma atividade de campo, intitulada “Jornalismo na aldeia”, que esteve sob a orientação dos professores Lawrenberg Silva e Iuri Gomes. O objetivo foi de gerar um intercâmbio de saberes e vivências, através da interação e produção de ensaios fotográficos e videodocumentários. 


A atividade do domingo é a primeira que o curso realiza, desde que ele mudou para o câmpus universitário da Unemat de Tangará, no segundo semestre de 2017. O seu início se deu às 7h30, no Centro Cultural, quando estudantes e professores se reuniram para discutir o plano de trabalho a ser feito e fazer o embarque, através de um ônibus locado junto uma empresa da cidade. E depois, com a partida à aldeia parecis do Formoso, localizada no km 80 da rodovia MT-358, onde os estudantes desenvolveram entrevistas, fotografias e gravações das 10 às 15h30.    

 
A escolha da aldeia se deu nas aulas da disciplina de Antropologia e Comunicação, após um estudo criterioso da identidade dos povos indígenas. A aldeia parecis do Formoso é uma das mais antigas na região, catalogada pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) desde a década de 1980. A área da aldeia conta com outras 6 aldeias menores, num total de mais de 350 famílias.

 

Segundo o professor e um dos responsáveis pela atividade, Lawrenberg Silva, a visita dos estudantes na aldeia reforça o compromisso da Unemat em gerar uma formação humana e identificada com as principais causas sociais, sendo a defesa da cultura dos povos indígenas uma delas. “A participação dos alunos, na minha análise, constitui um passo significativo da Universidade pública de Mato Grosso e do curso de Jornalismo no que consideramos ser uma formação humanística, inclusista. Uma formação engajada nos principais problemas que afetam a sociedade brasileira, de modo a ouvir e dialogar com os mais variados grupos. Nesse sentido, a ida a aldeia parecis vem para confirmar tudo isso, mostrando que o lugar de ensino e da atuação em Jornalismo é na aldeia também”.  
 

Durante a realização da atividade, os estudantes conheceram a cultura indígena local, onde moram mais de 250 indígenas, em sete ocas. Lá, eles interagiram com indígenas, conhecendo a história da etnia da tribo parecis, mas principalmente como é o seu cotidiano, do nascimento, casamento, alimentação aos esportes e festejos. Uma vivência que permitiu aos estudantes verificar na prática o que é aprendido em sala.  Pelo menos é o que relata a estudante Yesa Maria, do segundo semestre de Jornalismo, quando ressalta ter descontruído antigos estereótipos. “Vi nessa atividade o quanto o que aprendemos em sala é importante para nos ajudar a entender a vida na comunidade indígena e a derrubar estereótipos e preconceitos dos índios no Brasil”, analisou a estudante, ao final da atividade. 
 

Outra estudante que se mostrou satisfeita com a atividade foi a estudante do terceiro semestre, Ellen Carrard. Ela esteve envolvida nas gravações de um documentário na atividade, onde gravou entrevista com alguns moradores e o pajé. “Podia montar um livro para descrever tudo que eu senti. Estou extremamente grata por ter passado por essa experiência. Conhecer a cultura de perto só me ensinou mais que o respeito é tudo. É um povo, é uma cultura linda”.
 

Ao término da atividade, estudantes, professores e os indígenas da aldeia realizaram uma grande roda de conversas, uma “ciranda intercultural”, sob a finalidade de fazer um balanço desse primeiro contato. Houve manifestações efusivas de congratulação, agradecimentos em português e no idioma parecis, além de uma salva de palmas. A intenção é de que da atividade resulte documentários, ensaios fotográficos e reportagens, mas, acima de tudo, uma nova percepção entre os estudantes e sociedade sobre o lugar dos indígenas na sociedade brasileira. 



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