Pernambucano, Domingos viu sua família prosperar em Tangará da Serra

Mano Reski / Especial DS 10/10/2018 Memória

Domingos é natural de Serrita

Domingos Parente de Sá Barreto

O nome deste topônimo está sendo muito comentado e devera ser assim nos próximos meses, pois dá nome a uma avenida muito conhecida e que deverá receber em breve uma importante rede de supermercado e atacado, que devido o tamanho da expectativa de sua chegada, é assunto em grupos de redes sociais e na imprensa. Trata-se de Domingos Parente de Sá Barreto, que emprestou seu nome por homenagem da Câmara Municipal a antiga Avenida da Paz.


A relação de Domingos Parente de Sá Barreto com Tangará da Serra é muito pequena, durou apenas 10 anos, mas este sobrenome, esta família, tem história em nossa cidade.


Domingos é natural de Serrita, município localizado no sertão do estado de Pernambuco, que à época do nascimento dele, 1º de janeiro de 1900, era distrito e pertencia ao município de Salgueiro. Nesta cidade aprendeu o ofício de trabalhar na roça, passou sua mocidade, casou-se pela primeira vez, mas viu a esposa falecer, com a qual não teve filhos.


Aos 40 anos de idade voltou a casar, desta vez com Maria Antonia de Oliveira e seis anos depois, já com dois filhos, Maria Neuza de Freitas (in memorian) e João Parente de Sá Barreto resolveu mudar-se para o estado do Paraná, precisamente no município de Astorga, região de Maringá, onde adquiriu um pequeno sítio com lavoura de café e cereais em geral. Neste primeiro domicílio viveu por 14 anos e teve mais duas filhas, Francisca Maria Vieira (in memorian) e Maria de Sá Barreto Demach.


Em 1960 transferiu-se para a cidade de Umuarama, também no Paraná e foi o ano em que perdeu a esposa, depois de nove anos de idas e vindas de São Paulo para tratamentos demorados. Ai o destino começou a ligá-lo com Tangará da Serra, mesmo sem saber da existência da cidade.


Seu único filho, que passou a ser seu braço direito nos negócios e na lavoura, com o falecimento da esposa, resolveu casar-se e saiu de casa para ter vida própria. Segundo relatos do próprio filho, foram momentos difíceis essa separação do seio familiar onde existia muito amor e amizade entre todos. João Barreto conta que sofreu muito, mas o seu pai foi o que mais sentiu essa separação, embora morassem muito próximos.


João Barreto passou a tocar os negócios e em 1974 teve uma queda de rendimento na lavoura de algodão em razão da chuva e frio e a única saída foi vender dois sítios que já possuía para pagar todos seus credores. Descapitalizado, lembrou-se do cunhado Francisco Bernardo que havia se mudado para o Mato Grosso, numa cidade chamada Tangará da Serra e resolveu vir visitá-lo.


Em 16 de novembro de 1975, já chegou aqui de mudança. Comprou 50 alqueires de terra onde hoje é o assentamento Vale do Sol, mais tarde a chácara onde mora até hoje, em frente a Vila Nazaré. 


Aqui fez uma amizade forte com o senhor Olívio de Lima, que lhe deu muitas orientações e espelhado no amigo que plantava arroz nos campos, na região do Distrito de Progresso, também passou a plantar arroz. Foram 35 alqueires no primeiro ano, 75 no segundo, 300 no terceiro e assim foi expandindo a lavoura de arroz e também passou a adquirir mais terras em razão do crescimento do negócio, sendo necessário inclusive a construção de armazém próprio para estocagem dos grãos.


Próspero nos negócios e com muita saudade do pai que ficara no Paraná com um pequeno sítio, em 1978 convenceu-o a vender a propriedade e mudar-se para Tangará da Serra. 
Aqui ele não se destacou em negócios, teve uma vida tranquila, vivendo com o filho e depois em sua própria casa na Vila Nazaré, onde cultivou muitas amizades e fez deste lugar a sua última morada, pois faleceu 10 anos após sua chegada, em 7 de maio de 1988, aos 88 anos. 


Um avô carinhoso e protetor

Domingos Parente de Sá Barreto tem 15 netos e netas, 20 bisnetos e alguns tataranetos, mas em vida chegou a conhecer apenas a primeira bisneta. Segundo relatos da neta Marilza Aparecida Barreto Manzano, o avô Domingos era espetacular, corroborando o que já havia falado o filho João Barreto, sobre a amizade e o carinho com que o pai tratava seus filhos.


Marilza conta que o avô era um grande amigo e desenvolvia muita bem seu papel, especialmente nos momentos que precisa protegê-los para que não apanhassem, especialmente da mãe, depois que faziam algum tipo de arte. “Ele chegava a nos esconder da mãe para evitar a surra”, conta Marilza, sem deixar de falar da forma meiga, carinhosa e protetora que o avô dispensava sempre aos netos e filhos.


Homenagem 

A via pública compreendida no trecho entre a Avenida Tancredo Neves até o entroncamento com a Estrada Alvadi Monticelli, passando pelo Cemitério Municipal ganhou o nome de Avenida Domingos Parente de Sá Barreto em 2004.


A homenagem foi apresentada pelo Executivo Municipal na forma da Lei nº 2235, de 19 de outubro de 2004, e, após aprovada pela Câmara, foi sancionada pela Prefeita Municipal de Tangará da Serra, Ana Maria Monteiro de Andrade. 



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