Lucas Frare Ayres, um anjo que passeou pela terra

Rosi Oliveira / Especial DS 28/09/2018 Memória

O Cowboizinho da cidade

Memória

Muitas e muitas vezes eu ouvi esta expressão, “há pessoas que abrigam anjos sem saber”, mas nunca tinha realmente me deparado com a afirmativa de fato, o que ocorreu ao conhecer Claudete Aparecida  Frare.


Dentre as muitas histórias que eu já ouvi e escrevi posso pontuar  dezenas que mexeram comigo, mas essa, realmente me deixou emocionada. “Uma mãe nunca está preparada para enterrar um filho”, disse a mãe do nosso homenageado do Memória, Lucas Gabriel Frare Ayres, filho de Claudete Frare e Jairo Ayres, que apesar de ter uma vidinha curta, interrompida abruptamente, viveu com intensidade.


 Lucas foi diferente desde sua concepção. Se fez anunciar quando a mãe ainda amamentava a irmã Ana Cláudia. “Eu estava amamentando quando descobri que estava grávida”, lembra a mãe. “Foi uma surpresa, porque eu achava que isso não aconteceria mais. E graças a Deus foi uma gravidez calma, dentro da normalidade e ele nasceu lindo e perfeito esbanjando saúde”, conta.


Lucas nasceu em um lar onde encontrou outros três irmãos: Rhaian, Yasmin e Ana Cláudia, e de cara ocupou o coração de todos.


Desde muito pequeno se destacou em Tangará uma vez que a família Frare é por natureza pioneira, alegre e festeira, lugar certinho para um garoto furacão nascer. “O Lucas ocupava todos os espaços da casa desde que nasceu. Era muito ativo. Ele veio para fazer a diferença, ele era muito intenso e não era só comigo, era com os amigos, com os irmãos”, recorda a mãe em lágrimas.  “Ele veio bem depois de todo mundo, então ele fazia o que queria. Aos três anos ele nunca tinha subido em um cavalo e fez o cavalo como se fosse dele pela vida toda e ali começou toda a trajetória dele como cowboizinho da cidade. Ele fazia prova dos três tambores e competia em várias cidades. Foi ele inclusive que deu nome à Comitiva Arroxa o Nó. E participava das reuniões como se ele fosse adulto e levava a sério”, comentou Claudete ao assegurar que “Deus tem propósitos muito grandes de trazer pessoas especiais e transformar em anjos”.


Lucas Frare Ayres não brilhou, estrelou

Ao chegar, Lucas já chegou causando e de cara encontrou uma irmã que não se mostrou muito feliz, mas que foi vencida pelo amor do novo integrante. “Eu tive muita raiva, muita. Primeiro veio a Ana e já tinha tomado meu lugar, aí apareceu o Lucas, mas logo quando ele nasceu a gente já se cuidava e eu tive que crescer de certa forma porque a minha mãe precisava de mim, porque os dois eram muito pequenos. Eu era muito revoltada, mas sabia que eu precisava cuidar. Era meu irmão e eles sempre queriam fazer tudo que eu fazia, sempre era muito igual. Como ele era o mais novo ele era o mais abusado, sempre foi. É difícil, a gente queria ver ele crescendo”, recorda Yasmin bastante emocionada não conseguindo conter as lágrimas ao falar do irmão. “Ele sempre teve uma característica única: ele era o centro das atenções. Não interessava se você conhecesse  ou não ele pulava no seu pescoço”, salienta.


Um dia nada fácil de se lembrar

Crianças são doses diárias de alegrias e verdadeiros pacotinhos de surpresas. Quando Lucas tinha seis aninhos, ele e dois primos foram acender uma churrasqueira utilizando álcool e infelizmente acabaram se ferindo bastante. Todos foram socorridos de imediato, mas o caso de Lucas foi mais grave. Na explosão ele inalou o álcool que queimou os órgão internos. Foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva  no dia 25 de janeiro de 2013. No dia 26 foi transferido para Anápolis e no dia 27 Lucas faleceu tendo como causa mortis a falência dos órgãos internos que ficaram bastante danificados. Na próxima terça-feira, 02 de outubro, faria 11 anos e isso seria no dia do aniversário do avô. “As vezes os filhos estão doentes e você faz tudo, mas você vai se preparando, mas dessa forma é muito difícil. Não tem como prevê que eles vão fazer. Ele teve esses seis anos, a gente sempre fala que ele viveu intensamente como se tivesse vivido 80. Viveu muito mais que muita gente”, reforça Claudete que chorou várias vezes durante a narrativa da história do filho saudoso.


A homenagem

Ao iniciar a vida escolar, foi matriculado no Colégio Ideal, de onde nunca saiu.  Ali criou laços de amor, que não ficaram somente com os colegas de sala, mas com todos que ali estavam. Por ter uma trajetória marcante e inesquecível a quadra da escola leva o nome do pequeno aluno, que ficou eternizado como símbolo de alegria e encantamento. “A homenagem foi uma das coisas mais lindas que já recebemos. Ele também ocupou todos os espaços do Ideal. Ficamos imensamente gratos”, agradeceu a mãe.



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