Claudio Aparecido Paro, o homem que mesmo sem diploma deu aula de amor

Rosi Oliveira / Especial DS 13/09/2018 Memória

Claudio faleceu aos 32 anos em um acidente de carro

Claudio Aparecido Paro

“O que você faz, fala tão alto que eu não consigo ouvir o que você diz”. Com essa frase iniciamos o Memória de Claudio Aparecido Paro que nasceu em 12/10/1962, em Araruna no Paraná. Era o primogênito e teve como irmãos Claudete e Carlos. Desde muito cedo iniciou a lida na terra, onde a família cultivava café para sobrevivência, o que lhe rendeu conhecimento e sabedoria.


Como as condições eram fracas, estudou apenas até a 5ª série, mas pela trajetória de vida que nos foi relatada, isso não o impediu de se destacar na vida. “Eles eram de uma família remediada, não tinha luxo, mas como os pais dele eram muito trabalhadores, nunca faltou nada para eles”, relata a esposa Carminha.


Em Araruna nasceu, cresceu e de lá saiu com 16 anos para mudar-se para o Mato Grosso, tendo como destino imediato, Tangará da Serra.


“Um compadre deles morava aqui e foi passear para lá e daí  o Valdemar, irmão do seu Venâncio, tio do Claudio veio aqui para conhecer e daí gostaram tanto que venderam as terras em Araruna e compraram terras aqui”, relatou nossa entrevistada.


De acordo com Carminha, a família era bastante unida e ao ouvir que a terra era boa, todos vieram para a ainda em formação Tangará da Serra. “Vieram todos, o Valdemar, o Venâncio, o Valdir, o Vergílio, o Miro e o Vitalino”.


Ao chegarem, compraram um sítio na 18, perto da comunidade Belo Horizonte, para o lado da Reserva, do Córrego das Pedras e ali começaram a trabalhar também com café e arroz. Ali Claudio conheceu a mulher de sua vida. “Lá tinha o campo e ele jogava bola, foi lá que eu fiquei conhecendo ele”, conta a esposa, ao destacar que ela foi quem se interessou por Claudio que era comprometido de aliança e tudo. “Ele era noivo, mas daí eu comecei a mexer com ele, mandar bilhetinhos e a gente começou a namorar”, relatou sorrindo lindamente.


O casal, ele com 18 e ela com 16, namorou por mais de um ano e depois se casou. Fizeram uma casinha próxima aos sogros e depois mudaram-se para o Corre Água, perto de Santo Afonso, onde trabalhou com trator arando a terra para o plantio. Depois de dois anos o casal muda-se novamente, vindo morar em Tangará, mas como estavam acostumados a vida na roça, não se adaptaram e voltaram a morar no sítio, onde continuou a trabalhar com trator.


A plantação é opcional, mas o florescer não 

Morando na região do Corta Vara- Triângulo, conseguiram se assentar na terra e ali os filhos Edvanio, Fabiana e  o Júnior chegaram.


Firmados ali, Claudio começou a se destacar em  ajudar a comunidade recém assentada. Pôde colocar em prática sua maior qualidade: Ajudar pessoas. Foi atuante. Dava aulas de catequese, foi presidente de associação e estava sempre envolvido nos torneios de futebol, uma de suas maiores paixões. Era prestativo e nunca se furtava a ajudar.


Mas, no auge da vida, aos 32 anos, Claudio na manhã de 08 de julho de 1994,  próximo ao Progresso, sofreu um gravíssimo acidente. Bateu de frente com uma carreta. Na oportunidade, além dele morreram mais duas pessoas que viajavam de carona até a capital do estado, onde  Claudio havia comprado um novo veículo e estava indo buscar.


“Eu lembro que ele levantou cedinho, não tomava café e fez um chá de Toddy. Tomou, se despediu de mim e das crianças e saiu. Era um dia muito frio e ali tinha uma forte serração. Dizem que ele corria muito e para não bater em um ônibus tirou de lado batendo de frente com uma carreta”, recorda Carminha com os olhos marejados pelas lágrimas.


Por volta das 11 horas a notícia chegou à Carminha que no momento estava tão aturdida e apavorada que ficou sem saber o que seria a palavra fatal.


“O pessoal da Triângulo gostava muito dele, foi um baque muito grande. Um choque! No começo a gente tinha um fusquinha e depois compramos um gol e sempre adoecia as pessoas e iam lá para ele trazer na cidade e podia ser a hora que fosse que ele levava. Se a pessoa tivesse como pagar ele levava. Se não tivesse era a mesma coisa”, destaca bastante emocionada.


A homenagem

Claudio partiu cedo demais, aos 32 anos, mas deixou uma lição: É possível florir onde somos plantados. Prova disso foi o resultado de sua morte. Através de uma eleição, moradores da Triângulo escolheram que  seu nome, dentre outros, para dar nome a escola ali construída, dando maior ênfase a frase utilizada  no início dessa narrativa. Atitudes valem bem mais que estudo, diploma e saberes. E isso Claudio aprendeu muito cedo e ensinou aos que com ele conviveram.



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